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  • Os pecados do Haiti

    Por Eduardo Galeano

    A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.

    O voto e o veto
    Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.

    Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

    – Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

    O álibi demográfico
    Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

    – Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

    E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

    Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

    Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

    A tradição racista
    Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

    O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

    Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

    A humilhação imperdoável
    Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

    A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

    O delito da dignidade
    Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

    Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.

    A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

  • O Haiti e a maldição branca

    Por Eduardo Galeano*

    O Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravidão. Contudo, as enciclopédias mais conhecidas e quase todos os livros de escola atribuem à Inglaterra essa histórica honra. É verdade que certo dia o império que fora campeão mundial do tráfico negreiro mudou de idéia; mas a abolição britânica ocorreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e resultou tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve de voltar a proibir a escravidão.

    Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e dono de escravos, advertia que o Haiti dava o mau exemplo, e dizia que se deveria “confinar a peste nessa ilha”. Seu país o ouviu. Os Estados Unidos demoraram 60 anos para reconhecer diplomaticamente a mais livre das nações.

    Por outro lado, no Brasil chamava-se de haitianismo a desordem e a violência. Os donos dos braços negros se salvaram do haitianismo até 1888. Nesse ano o Brasil aboliu a escravidão. Foi o último país do mundo a fazê-lo.


    O Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas TVs e nas páginas dos jornais, no início deste ano, os meios de comunicação transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem.

    Desde a revolução até hoje, o Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colônia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, levam ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da selvagem herança da África. O mandato dos ancestrais. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.

    Da maldição branca não se falou.

    A Revolução Francesa havia eliminado a escravidão, mas Napoleão a ressuscitara:

    – Qual foi o regime mais próspero para as colônias?
    – O anterior.
    – Pois, que seja restabelecido.

    E, para substituir a escravidão no Haiti, enviou mais de 50 navios cheios de soldados. Os negros rebelados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos.

    Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana-de-açúcar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram “a dívida francesa”. A França cobrou caro a humilhação imposta a Napoleão Bonaparte. Recém-nascido, o Haiti teve de se comprometer a pagar uma indenização gigantesca, pelo prejuízo causado ao se libertar. Essa expiação do pecado da liberdade lhe custou 150 milhões de francos-ouro.

    O novo país nasceu estrangulado por essa corda presa no pescoço: uma fortuna que atualmente equivaleria a US$ 21,7 bilhões ou a 44 orçamentos totais do Haiti atualmente. Muito mais de um século demorou para pagar a dívida, que os juros multiplicavam. Em 1938, por fim, houve e redenção final.

    Nessa época, o Haiti já pertencia aos brancos dos Estados Unidos.

    Nem Bolívar

    Em troca dessa dinheirama, a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haiti nasceu condenado à solidão. Tampouco Simon Bolívar a reconheceu, embora lhe devesse tudo. Barcos, armas e soldados lhe foram dados pelo Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda.

    O Haiti lhe deu tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma idéia que até então não lhe havia ocorrido. Depois, o herói venceu sua guerra de independência e expressou sua gratidão enviando a Port-au-Prince uma espada de presente. Sobre reconhecimento, nem uma palavra.

    Na realidade, as colônias espanholas que passaram a ser países independentes continuavam tendo escravos, embora algumas também tivessem leis que os proibia. Bolívar decretou a sua em 1821, mas, na realidade, não se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravidão, e a Venezuela em 1854.

    Em 1915, os fuzileiros navais desembarcaram no Haiti. Ficaram 19 anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e o escritório de arrecadação de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até que este assinasse a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York.

    O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravidão, mas impuseram o trabalho forçado para as obras públicas.

    E mataram muito. Não foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro Charlemagne Péralte, pregado em cruz contra uma porta, foi exibido, para escárnio, em praça pública.

    A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes se retiraram deixando no país uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. O mesmo fizeram na Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e Trujillo.

    E, assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram somando-se as desventuras e os anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, o levou, o submeteu a tratamento e, uma vez reciclado, o devolveu, nos braços dos fuzileiros navais, à Presidência. E novamente ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e outra vez houve matança. E de novo os fuzileiros, que sempre regressam, como a gripe.

    Entretanto, os especialistas internacionais são muito mais devastadores do que as tropas invasoras. País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haiti havia obedecido suas instruções sem pestanejar. Eles o pagaram negando-lhe o pão e o sal.

    Náufragos anônimos

    Teve seus créditos congelados, apesar de ter desmantelado o Estado e liquidado todas as tarifas alfandegárias e subsídios que protegiam a produção nacional. Os camponeses plantadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou emigrantes em balsas. Muitos foram e continuam indo parar nas profundezas do Mar do Caribe, mas esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos jornais.

    Agora, o Haiti importa todo seu arroz dos Estados Unidos, onde os especialistas internacionais, que é um pessoal bastante distraído, se esquecem de proibir as tarifas alfandegárias e os subsídios que protegem a produção nacional.

    Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haiti, há um cartaz que adverte: o mau passo.

    Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, pestes…

    Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferro velho e, com antiga maestria, recortando e martelando, suas mãos criam maravilhas que são oferecidas nos mercados populares.

    O Haiti é um país jogado no lixo, por eterno castigo à sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata. Espera as mãos de sua gente.

    (*Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina e Memórias do Fogo).

  • Haití, la primera víctima de la tentación imperialista de Brasil

    Joël Léon
    Mondialisation.ca

    “Garantizar la seguridad pública es ocuparse de que nadie sea asesinado ni sea víctima de ninguna forma de violencia”

    Amnistía Internacional

    Antes de la llagada a Haití de la Misión de Estabilización de las Naciones Unidas en Haití (MINUSTAH, por sus siglas en inglés), cuando se hablaba de Brasil, se hacía referencia al fútbol, al rey Pelé o al carnaval de Rio, que constituye una maravilla artística y cultural. Esto es tan cierto que en su cruzada por ganar los corazones y espíritus de los haitianos, el 18 de agosto de 2004 el gobierno utilizó a la selección brasileña de fútbol para jugar un partido de fútbol bautizado “Por la paz” contra la selección haitiana. Aquel día supuso un tormento para nuestros patriotas haitianos que vieron a nuestro congéneres aplaudir a los jugadores brasileños en detrimento de sus compatriotas. Y para crucificar aún más al país, los jugadores y dirigentes brasileños se fueron al país vecino a pasar la noche después del partido, lo que significaba que Haití no era digno de honrar la hospitalidad de las estrellas brasileñas. ¡No importa! Hoy, además del fútbol y la cultura brasileña, también hay las masacres de pobres personas, el cólera y también la arrogancia natural de un ocupante para con los sujetos vencidos. Y, sin embargo, desde un punto de vista geopolítico y estratégico, la realidad brasileña es radicalmente diferente y está guiada por el empeño en extender su influencia sobre los demás países de la zona.

    La manera más simple de definir el imperialismo es la siguiente: “Aquello que busca extender su autoridad sobre otros”, en especial, los Estados más pequeños. Con su presencia militar en Haití Brasil ha entrado en una fase imprudente en la que es indispensable causar víctimas para proteger su estatuto de potencia regional. Brasil es hegemónico ya que controla el 40% de la economía sudamericana. Es una transformación lógica. Tanto los imperios como sus sistemas nacieron “entre sangre y sudor”. La dominación no tiene corazón; aunque unos dominadores sean más feroces que otros, todos se basan en la necesidad imperialista de sometimiento para poder saquear mejor las riquezas de los demás a beneficio de sus clases dirigentes, ya sean castas o tribus. En este contexto del siglo XXI en el que la complejidad del mundo ampliado es más difícil de controlar el juego de las alianzas en más trágico que nunca. En el mundo hay demasiadas convulsiones, demasiados fuegos que hay que apagar, demasiados pueblos en ebullición… Hay otros socios, sin duda menos poderosos pero capaces de imponerse en los conflictos de débil intensidad para salvaguardar los intereses de los más poderosos. Así se presentó Brasil.

    Nos es casual que Estados Unidos y Francia hayan elegido a Brasil. Conocen sus ambiciones imperialistas de segundo amo del hemisferio desde el punto de vista económico: su obsesión declarada de formar parte del Consejo de Seguridad de la ONU y también está la experiencia de los años de la dictadura en la represión y el asesinato, elemento esencial de la tarjeta de visita internacional de Brasil. Sin desdeñar, sin embargo, el interés de los ricos de este país por extender sus producciones y cultura por todas partes en la zona. Cuando estos dos conquistadores solicitaron sus servicios, sabían a ciencia cierta que el entonces presidente Lula Da Silva no se podía resistir a esta propuesta. Para ello había que sacrificar los vínculos y las convicciones ideológicas para llenar su tarjeta de conquista. Así, los estadounidenses, canadienses y franceses han legado al país de las favelas el mal de “aprendiz tutor” ya que ellos están demasiado ocupados en hacer frente a otras convulsiones creadas a medida en el mundo.

    La misión del Brasil de Lula es “estabilizar” Haití. En términos no diplomáticos, Brasil debe desempeñar un papel de gendarme. Los reveses sufridos por Estados Unidos en Somalia en 1994 y 1995, y el estancamiento en Iraq y Afganistán, y más recientemente en Libia y Siria son demasiado recientes para aventurarse a otro problema en el que se enfrentan negros. Lula Da Silva había abusado de los estrechos lazos culturales existentes entre ambos pueblos, Haití y Brasil, para poner en práctica la política conquistadora.

    ¡Atención, progresistas haitianos!

    Algunos progresistas haitianos se dejan engañar por la lógica de las proximidades ideológicas con el partido en el poder en Brasil manteniendo un silencio cómplice ante la agresión imperialista brasileña contra Haití. Acto que debe ser considerado una violación palpable del primer capítulo de la llamada doctrina del mundo libre, la autodeterminación de los pueblos. El ejército brasileño asegura la ocupación de Haití con 1.200 hombres y unas docenas de policías que deliberadamente fusilan a los pobres y poseen las mujeres haitianas con apetito. Este comportamiento es digno de cualquier ocupante; por consiguiente, el Estado brasileño no es progresista. Por el contrario, es depredador y le hace el trabajo sucio al imperialismo.

    Tras la salida de Jean-Claude Duvalier en 1986 quienes contribuyeron a la perpetuación de su régimen por medio del terror y de la tortura se volvieron molestos. El tristemente célebre torturador Albert Pierre, alias “Ti boule”, fue invitado a embarcarse hacia Brasil, un Estado que, sin embargo, no había firmado ningún tratado de extradición con Haití. “Ti boule” se quedó allí sin que nadie le molestara hasta su apacible muerte sin poder dar cuentas de sus crímenes odiosos contra la nación haitiana. Así pues, existen antecedentes no reglados entre ambos Estados que merecen que los expertos los analicen para desvelar si no existiría algún rencor histórico del Estado brasileño contra Haití. ¿Brasil es moralmente competente para desempeñar este nuevo papel de policía?

    ¿Es Brasil moralmente apto para estabilizar Brasil?

    Por desgracia, Brasil no se salvó, como fue el caso de Venezuela, del caudillismo en las décadas de 1970 y 1980. Al igual que nosotros en Haití, el pueblo brasileño conoció la feroz dictadura militar, pero contrariamente a nosotros, el expresidente Lula no abolió el ejército y ni siquiera lo purgó. Y he aquí que veinticinco años después esta misma institución represiva se propulsa a la escena internacional como guardiana de la democracia y de la estabilidad. Me pregunto en nombre de qué moral se atribuyó esta misión al ejército brasileño, a no ser la de la ironía.

    Recuerden que yo había mencionado el carácter represivo de Brasil, “competencia” que tuvo mucho que ver en su elección como nuevo amo de Haití. En un documento en 2005 Amnistía Internacional señala que Brasil contaba con 52.2 homicidas por cada 100.000 jóvenes, mientras que Estados Unidos cuenta/contaba con 32.2 homicidas por cada 100.000 jóvenes e Italia 2.1 homicidas por cada 100.000 jóvenes. Esto indica que este país está mucho más enfermo que Haití en materia de seguridad pública, sin embrago, Brasil ha sido elegido como jefe de misión de estabilización en Haití.

    Últimamente, durante la visita del ministro de Justicia estadounidense a Haití, Eric Holder, este declaró que países como Jamaica, Puerto Rico, la República Dominicana son los más violentos de la zona, ¡no Haití!

    Amnistía Internacional continúa: “El hecho de tener la piel negra [en Brasil] es un factor de riesgo suplementario”, la policía brasileña es racista, lo que explica plenamente las intervenciones asesinas de las fuerzas armadas brasileñas en barrios pobres [de Haití], como Cité Soleil, Bel-Air, etc. Amnistía Internacional define de la siguiente manera cómo garantizar la seguridad publica de un país: ” Garantizar la seguridad pública es ocuparse de que nadie sea asesinado ni sea víctima de ninguna forma de violencia” . Las fuerzas públicas brasileñas cuentan en su historial con muchos casos de masacres en su propio país. Así, el 31 de marzo de 2005, “29 personas fueron asesinadas en Baixada Fluminense […] por hombres armados pertenecientes a la policía militar […] entre 8:30 y 11 horas, al abrir fuego contra las personas que pasaban”, según Amnistía Internacional.

    Citemos algunos de los excesos cometidos por los gendarmes brasileños:

    1.- Masacre de presos desarmados en la cárcel Carandiu, en Sao Paulo en 1992. 2.- Se liquidó a niños que dormían sobre las escaleras de la catedral Candaleria en 1993. 3.- Unos habitantes de una favela de Vigario, militantes por los derechos de la tierra en Eldorado dos Carajas, fueron asesinados en 1997. 4.- Solo en el año 2003 los policías de Sao Paulo y Janeiro, apoyados por el ejército, mataron a 2.110 personas, una barbarie que calificaron de legítima defensa. 5.- “En Brasil la cantidad de homicidios es una de los más elevadas del mundo”: circulan en este país 17 millones de armas ligeras, de las cuales 9 millones se poseen de forma completamente ilegal.

    Por consiguiente, los duelos que siembran las fuerzas de ocupación en Haití, fuertemente dominadas por Brasil, forman parte de una serie de prácticas nacionales transferidas al seno de la institución dirigida por un comandante brasileño. Con esta “licencia para matar” concedida a los ocupantes por los gobiernos haitianos de los últimos nueve años, la inmunidad otorgada a los cascos azules corre peligro de ahogarse en los enredos de la impunidad: recordemos la indignante dejación de sus responsabilidades por parte de la ONU en la propagación del cólera que causó miles de muertos en Haití. En el peor de los casos, el organismo internacional se niega a pagar cualquier tipo de indemnización a las víctimas de esta terrible epidemia que continúa cargándose a hombres, mujeres y niños.

    ¿Es consciente la presidenta Roussef de su papel de verdugo?

    Según el analista haitiano Camille Chalmers, “de los 20 miembros del Estado Mayor de la MINUSTAH, apenas hay dos sudamericanos. Los demás son estadounidenses, franceses, italianos y canadienses”, palabras citadas en RISAL [Red de Información y Solidaridad con América latina]. Pero si bien aparentemente Brasil parece el amo de la situación, quien detenta el verdadero poder entre bastidores es la alianza estadounidense-franco-canadiense. Se ha legado a los soldados sudamericanos el papel represor de los pobres. Da la impresión de que las ambiciones de Brasil le vuelven ciego, lo cual puede llevar a la presidenta de este país a cometer crímenes odiosos, como es el caso de Haití hoy. Lula ha transferido esta visón imperialista a su delfín Dilma Rousseff, actual presidenta del país, la cual, como su tutor, prosigue con la humillación acelerada de Haití.

    La postura de los patriotas haitianos debe ser firme y sin ambages frente al comportamiento agresivo de las fuerzas de ocupación, porque representamos el último reducto de los indígenas. Ya se trate de estadounidenses, de franceses, de canadienses o de cualquier otro pueblo, en cuanto cruzan las fronteras de otro Estado, no tienen más objetivo que la subordinación. Nuestro deber de pueblo consciente consiste en luchar hasta que se vayan.

    Así, se acogió con calor y esperanza la conferencia del 31 de mayo al 1 de junio de 2013 en Port-au-Prince sobre la salida de las fuerzas de la MINUSTAH del país. Esta muy loable iniciativa que tiene como coordinador al honorable senador Moïse Jean-Charles partió del Senado haitiano que exigió por unanimidad la salida de los ocupantes del territorio nacional para el 28 de mayo de 2014. A esto hay que añadir la gran manifestación popular ante el busto de Jean-Jacques Dessalines, fundador de la nación haitiana, en el Champ-de-Mars, para exigir la salida inmediata de las tropas extranjeras del país: elementos todos ellos que demuestran la hartura del pueblo haitiano ante la presencia de colonos modernos en las calles haitianas.

    Lo que están defendiendo en Haití son los intereses nacionales brasileños y están dispuestos a todo para ello. Esto es válido también para los demás Estados presentes en el seno de la MINUSTAH. Hay que poner de relieve que no hay fuerzas venezolanas o cubanas en Haití, es decir, que Dilma Rousseff (Brasil), Michelle Bachelet (Chile), Christina Fernandez de Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Ecuador), Evo Morales (Bolivia) y otros Estados podían rechazar la oferta intervencionista. Por consiguiente, si decidieron entrar en Haití son ocupantes, todos ellos contribuye a humillar a nuestro pueblo, nuestra grandeza histórica y nuestra cultura. Lula prefirió ceder a las peticiones estadounidense, canadienses y francesas en vez de a las del pueblo haitiano que resiste heroicamente a la servidumbre.

    Son arrogantes como lo es cualquier invasor. El general saliente que mandó las tropas de la MINUSTAH está tan cómodo en su aparato de ocupador asesino que exigió que se volvieran a formar las fuerzas armadas Haití, que se había disuelto legalmente. Es un cálculo a medida hecho por el gobierno brasileño. El ejército de Haití que se había transformado en partido político fue obra de la ocupación estadounidense de 19 años y su papel fue el de perpetuar la ocupación mucho tiempo después de la salida de los marines. Brasil, que tienen el mando de las tropas de la MINUSTAH, quiere tener esta misma responsabilidad de crear un ejército nacional con vistas a mantener un control sustancial sobre el conjunto de las instituciones nacionales por intermediación de su estructura militar dejada en el país.

    En conclusión, todos los países latinoamericanos que forman parte de las fuerzas de ocupación de Haití lo único que hacen es defender sus intereses nacionales en detrimento de nuestra dignidad de pueblo, de nuestra grandeza histórica y cultural. Brasil, país que tiene el mando de las tropas, responde a sus ambiciones estratégicas, aunque en el plano interno vive una situación más dramática que la de Haití. Hay que señalar la hipocresía que demuestran los gobiernos de Ecuador y Bolivia en esta situación, ellos que se jactan de ser revolucionarios. El presidente ecuatoriano Correa luchó valientemente para cerrar la base militar estadounidense en su suelo. El número uno boliviano Evo Morales ha logrado fama desde el punto de vista nacionalista al expulsar a USAID y a la compañía Coca Cola de su tierra natal. Sin embargo, sus ejércitos participan en la degradación de Haití vía la MINUSTAH. ¡Qué hipocresía! ¿Dónde se sitúa la práctica revolucionaria de estos dos? ¿Acaso quieren cambiar el léxico revolucionario invitándonos a creer que los haitianos son unos animales que no están preparados para la democracia? Además, ¡qué falta de gratitud! Nuestros ancestros no ocuparon una parte de los países andinos después de haberles ayudado a conquistar su independencia. Sin embargo, durante la cumbre panamericana de Panamá estos mismos andinos nos habían indexado, ¡por supuesto, a petición de Estados Unidos! Hoy han reincidido. ¿Qué quiere decir “ser revolucionario” para Correa y Morales?

    Progresistas haitianos, toda ocupación lleva necesariamente a la humillación. No hay ocupantes buenos, todos son malos y masacradores. Es esencial luchar contra la ocupación del país hasta que se vaya el último soldado extranjero.

    ¡El pueblo de Haití va a convertir el 28 de mayo de 2014 en día nacional de la desocupación del territorio nacional!

  • RETIRO DE LA MINUSTAH DE HAITÍ.

    De República Dominicana:
    Movimiento de Trabajadores Independiente -MTI- Sr. Ramón Nolasco Martínez      Comisión Nacional de los Derechos Humanos -CNDH- Dr. Manuel María Mercedes     Corriente Magisterial Juan Pablo Duarte Prof. María Teresa Cabrera    Juventud Caribe -JC- Br. Raiza de León     Frente estudiantil Flavio Suero -FEFLAS- Br. Emelson Méndez        Foro Social Alternativo –FSA- Félix Tejeda     Frente Universitario Renovador –FUR-, MTRO. Ysidoro Pérez Reyes      Frente Amplio –FA-, Lic. Fidel Santana.

     

    Santo Domingo de Guzmán, D.N.

    31 de mayo de 2013

    Sra. Valerie Julliand,  Coordinadora Residente del Sistema de las Naciones Unidas  /  Representante Residente del PNUD República Dominicana

    Su Despacho.

     

    Asunto:  RETIRO DE LA MINUSTAH DE HAITÍ.

    Distinguida Señora:

    Hace exactamente nueve años, el 1ro de junio de 2004, las tropas militares de la MINUSTAH, la Misión de las Naciones Unidas para la Estabilización de Haití, invadían ese país hermano bajo el pretexto de una supuesta “estabilización” que nunca llegó. Todo lo contrario.

    En lugar de mejorar la situación generada por el golpe de Estado de 2004, la MINUSTAH aumentó los niveles de violencia para un pueblo despojado de todos sus derechos, conteniendo la opresión de un sistema basado en el trabajo semi-esclavo, el desempleo del 70% de la población económicamente activa y salarios infrahumanos.

    En vez de promover la paz, las tropas de la ONU cometen violaciones sistemáticas a los derechos humanos esenciales de la población e importaron el cólera, enfermedad que hasta ahora ha dejado más de 8.000 muertos y enfermado a más de 600.000 personas. Expresamos nuestra especial indignación frente a la actitud de la ONU que ha preferido evocar la inmunidad de sus tropas a fin de rehusar cualquier indemnización a las familias de las víctimas directas y la reparación de los inmensos daños causados al país.

    Por donde se lo mire, es inconcebible seguir sosteniendo que la MINUSTAH – militares y policías que provienen en gran medida de Argentina, Bolivia, Brasil, Colombia, Chile, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Paraguay, Perú, Uruguay- deben permanecer en Haití.

    En 2011, el Senado haitiano votó por unanimidad el retiro de las tropas de la MINUSTAH para el año 2012. Los ministros de Defensa de los países de la UNASUR señalaron la necesidad de reducir la presencia de sus tropas y establecer un plan de retiro en junio de 2012, aunque este compromiso ha quedado solo en palabras. Las organizaciones haitianas han realizado innumerables manifestaciones masivas contra la presencia de la MINUSTAH, incluyendo funerales simbólicos en Petite Riviére de l’Artibonite y Puerto Príncipe en octubre 2011. Acciones judiciales están en curso contra la ONU por la intromisión del cólera y un conjunto de asociaciones llamado Kolektifòganizasyon pou dedomajeviktimkolerayo trabaja sin descanso al respecto para hacer justicia.

    La MINUSTAH lamentablemente ha fracasado con respecto a los objetivos establecidos por el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas. O mejor dicho, el único objetivo que cumplió fue el de ocupar militarmente ese país al servicio de intereses que no son los del hermano pueblo haitiano. Su presencia responde a una política que priva el pueblo haitiano de su ciudadanía, sus servicios públicos, su tierra, sus bienes naturales. Está además claro que la MINUSTAH no podría mantenerse, sin el apoyo militar y diplomático de Canadá, Estados Unidos y Francia, siempre al servicio de sus corporaciones y los acuerdos de libre comercio e inversión que las favorecen. Por eso, el Senado haitiano también votó contra la entrada de dos multinacionales mineras de EE.UU. y Canadá que hoy están saqueando ricos yacimientos de oro, cobre y plata en Haití “la pobre”, bajo la protección de la MINUSTAH.

    Haití no debe ser más el laboratorio de la economía y la “seguridad” neoliberal, políticas que han hecho además de la deuda, un arma adicional contra los pueblos como vivimos en toda nuestra América, el Sur global y ahora también en Europa.

     

    Haití no necesita tropas militares, ni de la MINUSTAH ni de ningún otro país.

    Haití necesita el reconocimiento de su dignidad, su potencial y derecho a la autodeterminación, como todo pueblo.

    Necesita que le saquen de encima las manos y las botas que lo dominan. Necesita médicos, sanitaristas, educadores, ingenieros, técnicos, todos ellos al servicio de la reconstrucción que el pueblo haitiano reclama, un pueblo históricamente diezmado, pero que conserva la dignidad de ser el primer país libre y antiesclavista de Nuestra América.

     

    Por todo esto, este 1ro de junio convocamos a movilizarnos para reclamar:

    – el retiro inmediato de la MINUSTAH y de todas las tropas militares extranjeros de territorio haitiano;

    – el fin de la ocupación económica y del saqueo, incluyendo la supresión de los acuerdos de libre comercio;

    – el reconocimiento de los crímenes cometidos por la MINUSTAH, incluyendo la introducción del cólera, la sanción a los responsables y la indemnización de las víctimas;

    – la restitución y reparación de la deuda histórica, financiera, social y ecológica que se le debe al pueblo de Haití;

    – una verdadera política de cooperación internacional que respete los derechos, la soberanía y la autodeterminación del pueblo haitiano.

     

    De República Dominicana:

    Movimiento de Trabajadores Independiente -MTI- Sr. Ramón Nolasco Martínez

    Comisión Nacional de los Derechos Humanos -CNDH- Dr. Manuel María Mercedes

    Corriente Magisterial Juan Pablo Duarte,  Prof. María Teresa Cabrera.

    Juventud Caribe -JC- Br.  Raiza de León.

    Frente estudiantil Flavio Suero -FEFLAS- Br. Emelson Méndez.

    Foro Social Alternativo –FSA- Félix Tejeda

    Frente Universitario Renovador –FUR-, MTRO. Ysidoro Pérez Reyes.

    Frente Amplio –FA-, Lic. Fidel Santana.

  • Actividades programadas para la Jornada continental por el retiro de la MINUSTAH de Haití

     
    ARGENTINA: Buenos Aires
    -viernes, 31 de mayo: entrevista con el ministro de Defensa para presentar el reclamo por el retiro de las tropas.
    Punto de encuentro: 11,30 hs. en la entrada del Ministerio, Azopardo 250, (entrevista 12 hs.)
    sábado, 1 de junio: vídeo-debate a partir del documental “Haití: Soberanía y Dignidad” ,   17 hs., Casa de la Paz, Piedras 730, Capital.
    -lunes, 3 de junio: entrevista con el vice-canciller Eduardo Zuaín, para presentar el reclamo por el retiro de las tropas.
    Punto de encuentro: 17 hs. en la puerta de la Cancillería, Esmeralda 1212, (entrevista a las 17,30 hs.)
    BRASIL: Río de Janeiro
    -lunes 27 de mayo: charla-debate: “Haití-Río de Janeiro: de la ocupación militar a las UPPs”.
    Nueve años de ocupación militar en Haití. Cuatro años y medio de las UPPs. ¿Qué vínculos históricos existen? ¿qué está en juego acá y allá? ¿qué contradicciones se están generando aquí y allá? ¿qué intereses económicos y políticos están por detrás de estas políticas?
    Panelistas: Maíra Siman (Instituto de Relaciones Internacionales PUC/RJ), Júlio Condaque (CPS-Conlutas/ Quilombo Raza y Clase), Renata Souza (periodista y moradora del Complejo da Maré), Marcelo Durao (MST/Vía Campesina), MC Leonardo (Apafunk).
    Moderadora: Sandra Quintela (PACS/Jubileo Sur)
    CHILE: Santiago
    viernes 31 de mayo: entrega de una carta dirigida al presidente de la Nación, Sebastián Piñera, y al Ministro de Relaciones Exteriores, Alfredo Moreno, pidiendo el retiro de la MINUSTAH de Haití
    Punto de encuentro: 11 hs. Alameda con Morande -vereda nororiente-
    La carta esta firmada -hasta el momento- por la Agrupación de Familiares de Ejecutados Políticos, la Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos, la Casa de la Memoria José Domingo Cañas. el Comité Oscar Romero-SICSAL Chile, la Comisión Ética contra la Tortura, la Comunidad Ecuménica Martín Luther King, el Colectivo Viento Sur, la Juventud Guevarista, el Servicio de Paz y Justicia-Serpaj Chile, la Unión Nacional de Estudiantes y el Observatorio de la Escuela de las Américas.
     
    HAITÍ: Puerto Príncipe
    jueves 30 de mayo: PAPDA realiza una rueda de prensa a las 10 hs. exigiendo el retiro de las tropas de la MINUSTAH y poniendo de manifiesto la gran solidaridad de los pueblos del continente con esta demanda.
    PAPDA también realizará un día de reflexión sobre las reivindicaciones campesinas en los Departamentos del Norte y su lucha por la soberanía  Esta actividad se desarrollará en la ciudad de Limonade, en la Universidad pública. Después de la conferencia habrá una acción simbólica en Puilboro con la bandera haitiana.
    viernes 31 de mayo: d ía de reflexión y balance de la MINUSTAH, convocado por organizaciones sindicales, con la presencia de delegaciones extranjeras.
    Punto de encuentro: hotel Plaza de 9 a 16 hs.
    viernes 31 de mayo: el Colectivo de víctimas del cólera para la reparación y justicia convoca a una manifestación a las 10 hs. desde Fò Nasyonal hacia el Ministerio de Justicia.
    sábado 1 de junio: exposición de fotografías ilustrando los numerosos crímenes cometidos por la MINUSTAH.
    Lugar: Champ de Mars cerca de la estatua de Dessalines.

    +++++++++++++++++++++++++++++
    JUBILEO SUR/AMERICAS
    secretaría regional a/c PACS
    Políticas Alternativas para el Cono Sur
    Oficina regional:
    Rua Evaristo da Veiga 47, sala 702
    CEP 20.031-040, Centro
    Río de Janeiro, RJ, Brasil
    telefax: (55) (21) 2210-2124

    www.jubileosuramericas.net

  • Jornada continental por el retiro de la MINUSTAH de Haití

    Rebelión

    Hace exactamente nueve años, el 1ro de junio de 2004, las tropas militares de la MINUSTAH, la Misión de las Naciones Unidas para la Estabilización de Haití, invadían ese país hermano bajo el pretexto de una supuesta “estabilización” que nunca llegó. Todo lo contrario.

    En lugar de mejorar la situación generada por el golpe de Estado de 2004, la MINUSTAH aumentó los niveles de violencia para un pueblo despojado de todos sus derechos, conteniendo la opresión de un sistema basado en el trabajo semi-esclavo, el desempleo del 70% de la población económicamente activa y salarios infrahumanos.

    En vez de promover la paz, las tropas de la ONU cometen violaciones sistemáticas a los derechos humanos esenciales de la población e importaron el cólera, enfermedad que hasta ahora ha dejado más de 8.000 muertos y enfermado a más de 600.000 personas. Expresamos nuestra especial indignación frente a la actitud de la ONU que ha preferido evocar la inmunidad de sus tropas a fin de rehusar cualquier indemnización a las familias de las víctimas directas y la reparación de los inmensos daños causados al país.

    Por donde se lo mire, es inconcebible seguir sosteniendo que la MINUSTAH – militares y policías que provienen en gran medida de Argentina, Bolivia, Brasil, Colombia, Chile, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Paraguay, Perú, Uruguay- deben permanecer en Haití.

    En 2011, el Senado haitiano votó por unanimidad el retiro de las tropas de la MINUSTAH para el año 2012. Los ministros de Defensa de los países de la UNASUR señalaron la necesidad de reducir la presencia de sus tropas y establecer un plan de retiro en junio de 2012, aunque este compromiso ha quedado solo en palabras. Las organizaciones haitianas han realizado innumerables manifestaciones masivas contra la presencia de la MINUSTAH, incluyendo funerales simbólicos en Petite Riviére de l’Artibonite y Puerto Príncipe en octubre 2011. Acciones judiciales están en curso contra la ONU por la intromisión del cólera y un conjunto de asociaciones llamado Kolektifòganizasyon pou dedomajeviktimkolerayo trabaja sin descanso al respecto para hacer justicia.

    La MINUSTAH lamentablemente ha fracasado con respecto a los objetivos establecidos por el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas. O mejor dicho, el único objetivo que cumplió fue el de ocupar militarmente ese país al servicio de intereses que no son los del hermano pueblo haitiano. Su presencia responde a una política que priva el pueblo haitiano de su ciudadanía, sus servicios públicos, su tierra, sus bienes naturales. Está además claro que la MINUSTAH no podría mantenerse, sin el apoyo militar y diplomático de Canadá, Estados Unidos y Francia, siempre al servicio de sus corporaciones y los acuerdos de libre comercio e inversión que las favorecen. Por eso, el Senado haitiano también votó contra la entrada de dos multinacionales mineras de EE.UU. y Canadá que hoy están saqueando ricos yacimientos de oro, cobre y plata en Haití “la pobre”, bajo la protección de la MINUSTAH.

    Haití no debe ser más el laboratorio de la economía y la “seguridad” neoliberal, políticas que han hecho además de la deuda, un arma adicional contra los pueblos como vivimos en toda nuestra América, el Sur global y ahora también en Europa.

    Haití no necesita tropas militares, ni de la MINUSTAH ni de ningún otro país.

    Haití necesita el reconocimiento de su dignidad, su potencial y derecho a la autodeterminación, como todo pueblo.

    Necesita que le saquen de encima las manos y las botas que lo dominan. Necesita médicos, sanitaristas, educadores, ingenieros, técnicos, todos ellos al servicio de la reconstrucción que el pueblo haitiano reclama, un pueblo históricamente diezmado, pero que conserva la dignidad de ser el primer país libre y antiesclavista de Nuestra América.

    Por todo esto, este 1ro de junio convocamos a movilizarnos para reclamar:

    – el retiro inmediato de la MINUSTAH y de todas las tropas militares extranjeros de territorio haitiano;

    – el fin de la ocupación económica y del saqueo, incluyendo la supresión de los acuerdos de libre comercio;

    – el reconocimiento de los crímenes cometidos por la MINUSTAH, incluyendo la introducción del cólera, la sanción a los responsables y la indemnización de las víctimas;

    – la restitución y reparación de la deuda histórica, financiera, social y ecológica que se le debe al pueblo de Haití;

    – una verdadera política de cooperación internacional que respete los derechos, la soberanía y la autodeterminación del pueblo haitiano.

    Primeros convocantes

    Regionales:
    CLOC/Vía Campesina
    Jubileo Sur/Américas
    Servicio Paz y Justicia en América Latina
    Campaña contra las Bases Militares Extranjeras en América Latina
    Grito Continental de los Excluidos/as
    Convergencia de Movimientos de los Pueblos de las Américas-COMPA
    Secretariado Internacional Cristiano de Solidaridad con los Pueblos de América Latina-SICSAL
    Plataforma Interamericana de Derechos Humanos, Democracia y Desarrollo-PIDHDD
    SOAWatch

    Nacionales:
    PAPDA-Haití
    Batay Ouvriye-Haití
    Tet Kole Ti peyizan Ayisyen TK-Haití
    Défenseurs des Opprimés DOP-Haití
    Confederation des Syndicats des secteurs privés et public CTSP-Haití

    Comitê “Defender o Haiti é defender a nós mesmos”-Brasil
    Rede Jubileu Sul Brasil
    PACS-Brasil
    Comité de Solidaridad por el Retiro de las Tropas Argentinas de Haití
    Central de Trabajadores de la Argentina-CTA
    Diálogo 2000-Jubileo Sur Argentina
    Nora Cortiñas, Madre de Plaza de Mayo Línea Fundadora-Argentina
    Mirta Baravalle, Madre de Plaza de Mayo Línea Fundadora-Argentina
    Comité Oscar Romero Buenos Aires-SICSAL Argentina
    Coordinadora por el Retiro de las Tropas de Haití-Uruguay
    Movimiento Social Nicaragüense “Otro Mundo es Posible”
    Intipachamama-Nicaragua
    Equipo de Servicios de las CEBs-Nicaragua
    Cristianos Nicaragüenses por los Pobres
    ILSA-Colombia
    Comisión Ética contra la Tortura-Chile
    Observatorio por el cierre de la Escuela de las Américas-Chile
    Comité Oscar Romero-SICSAL Chile
    Bia´lii, Asesoría e Investigación A.C-México
    Centro de Documentación en Derechos Humanos “Segundo Montes Mozo S.J.” CSMM-Ecuador
    Plataforma Interamericana de Derechos Humanos, Democracia y Desarrollo, PIDHDD-capítulo Ecuador
    Coordenação Nacional da INTERSINDICAL-Brasil
    CSP-Conlutas Brasil
    Fórum Mudanças Climática e Justiça Social-Brasil
    Rev. Luis Carlos Marrero Chasbar, Grupo de Reflexión y Solidaridad Oscar A. Romero-Cuba
    Revda. Daylíns Rufín Pardo, Centro de Estudios del Consejo de Iglesias de Cuba.
    Comité Oscar Romero-Amazonía peruana
    Comité Oscar Romero Vigo-España
    Comité Oscar Romero Madrid-España
    José Luis Soto-Espacio de Comunicación Insular
    Gustavo Patiño Alvarez
    Manuel Vargas Chavarria
    Iolanda Toshie Ide
    Leticia Rentería

    Más información y adhesiones a: jubileosur@gmail.com

  • Primero de Mayo 2013

    Entre edificios que les caen por encima y matan a más de 400 trabajadores y decenas de obreras anteriormente quemadas vivas en el Bengladesh; en medio de las exacciones de los capitalistas de las transnacionales del mundo entero y la ofensiva sangrienta que sus gobiernos (imperialistas, emergentes o atrasados…) orquestan en este proceso de Lucha-Integración que les caracteriza fuertemente hoy en día; dentro de esta crisis que los come desde su propio interior y que, sin consideración alguna excepto sus ganancias y su lógica extrema, tratan de hacernos pagar… este PRIMERO DE MAYO 2013 fue, en el planeta, conmemorado de diversas maneras.

    En Europa, el cansancio debido a la tan ardua lucha que allí se está dando y, por el papel “democrático” de las burocracias sindicales, ha dejado a movilizaciones  fragmentadas. Sin embargo, en América Latina como en África del Sur, por ejemplo, la unidad de la clase obrera se está fortaleciendo. También se está dando un fenómeno interesante: él de la estructuración del CAMPO del PUEBLO en torno a movilizaciones OBRERAS.

    Sin embargo, ante todo, en el mundo entero, este Primero de Mayo se desarrolló globalmente en medio de una fuertísima represión contra de nuestra clase.

    *

    En Haití, nuestra corriente en construcción se expresó en varios espacios:

    En la Meseta Central, primero, fue con un encuentro de suma importancia, él de trabajadores haitianos y camaradas dominicanos que se dio un intercambio muy fructífero: el sindicato de trabajadores haitianos y dominicanos (STAD en kreyòl) materializando esta construcción que tendrá, poco a poco, que unificar, en la misma lucha, la clase obrera de los dos países de la isla.

    Igualmente, en Arcahaie, nuestra coordinación de núcleos de obreros agrícolas, se reunió para establecer las primeras bases para un primer congreso que tendrá lugar pronto, poniendo a su vez las bases para un sindicato de estos obreros agrícolas de la región y, así, poco a poco nacional. De gran importancia también está este encuentro ya que el plan imperialista incluye un desarrollo agro-industrial, donde, otra vez, la clase obrera de esta rama capitalista tendrá un papel importante que jugar para enfrentar las exacciones que allí ya se pueden anticipar.

    En el departamento del Noroeste, fue una movilización de pequeños campesinos en los pueblos de Bombardopolis y Anse Rouge quienes desfilaron en las calles, llevando no solo las reivindicaciones de tierra para cultivar que menos tienen a medida que va penetrando el proyecto capitalista de las transnacionales del agro, sino también en contra del desalojo urbano que sufren.

    Pero fue en las ciudades mayores de concentración obrera que se dieron las movilizaciones las más significativas. En Puerto-Príncipe primero (ver fotos), encabezando una coalición sindical, nuestro Sindicato del Textil y de la Vestimenta (SOTA-BO en kreyòl), reunió alrededor de cuatrocientas personas (dependiendo del momento) quienes salieron del parque industrial Sonapi, para llegar al ministerio de agricultura donde una vez más, el gobierno títere de turno trataba de recuperar el Primero de Mayo, siendo que Haití es el único país donde son la burguesía y el gobierno ¡quienes conmemoran el Primero de Mayo! Nuestra intervención del día recuerda la verdadera hazaña de nuestros camaradas pasados en Chicago y otras ciudades mundialmente movilizadas en aquel tan glorioso 1886. Precisa también nuestras principales reivindicaciones del momento, a saber: libertad sindical, salario y legislación del trabajo que hay que modificar. Una especial atención fue dada en denunciar el tan mal llamado “diálogo social” que proclaman en estos días: pura trampa, de hecho, donde tratan de encajarnos los reaccionarios de todo tipo. Además, d e “diálogo social” concretamente no quiso tampoco el gobierno, quién, por medio de su policía nacional, dos veces trató de bloquearnos. Lo hacen cada año pero, ésta vez, las relaciones de fuerzas, nacionales como internacionales, estando otras, logramos esforzar el paso.

    En Ouanaminthe, fue también dentro de una coalición sindical que, con alrededor de unos mil camaradas, nuestro sindicato de la Zona, Sokowa, dejó estos alrededores para alcanzar la plaza central de la ciudad. Habían llegado también nuestros camaradas del Sopek (ver fotos), recién sindicato de la nueva Zona de Caracol. Allí también, llevamos no solo las reivindicaciones obreras pero también las del pueblo entero, incluso las de los pequeños campesinos de la región.

    Pero fue en el Cap-Haïtien donde fue mayor nuestra movilización. De hecho (ver fotos), no solo todos nuestros sindicatos de allí se agregaron, sino que también varias de las organizaciones de esta ciudad y región se sumaron. Para una movilización que conmovió al pueblo entero. Acompañándonos, estuvieron a veces hasta seis mil manifestantes. Inútil decir que eslóganes en contra del gobierno, de la ocupación, del imperialismo y demás dominaciones de clase… llenaron las calles, hasta llegar al edificio de la “delegación” gubernamental, en la plaza central donde leímos nuestra declaración, la cual resume, otra vez, las reivindicaciones tanto obreras como populares: momento histórico importante en la construcción del Campo del Pueblo y de la fuerza estructurada que, a partir de los intereses del proletariado y la transformación adecuada de las demás clases oprimidas, debe llevar la dirreciión de la lucha frente al capitalismo devastador que nos mata a todos, el planeta entero y la especie humana incluidos.

    Es también el momento de articular paulatinamente la presencia de todos los progresistas que verdaderamente logran entender la lógica del sistema que nos domina y puedan entonces saber cómo precisamente hacerle frente. Construyendo un porvenir donde la indignación, la humillación pero, sobre todo, la dominación y la explotación no estarán, para siempre, presentes.

    ¡TRABAJO, SÍ!   ESCLAVITUD (abierta o disfrazada), ¡NO!

    Batay Ouvriye, 3 de mayo del 2013

  • Senador Haitiano visita Brasil por la retirada de las tropas de la ONU de su país.

    Senador Haitiano visita Brasil por la retirada de las tropas de la ONU de su país.

    Por invitación del Comité “Defender Haití es defendernos a nosotros mismos” (Asemblea Legislativa de São Paulo), Jean Charles Moise, el senador que aprobó por unanimidad en el Senado de Haití, la retirada de las tropas de la ONU de su país, estuvo en Brasil para pedir el fin de la ocupación de la MINUSTAH que empezó en 2004.
    Juiz de Fora – ciudad en la que está el mayor contingente de tropas del batallón brasileño – fue recibido por el concejal Roberto Cupolillo (PT) en una audiencia pública que abarrotó el Consejo de la ciudad en 15/4. En su discurso, invitó a los asistentes a la Conferencia Continental por la retirada de la MINUSTAH, que será en Haití, en 1º. de junio en Puerto Príncipe, la fecha en que hace nueve años, cuando el entonces presidente Aristide fue derrocado en un golpe de Estado articulado por los Estados Unidos, las tropas de la ONU ocuparon el país.

    En su intervención en el Concejo Municipal, explicó que el presidente Martelly, elegido de manera fraudulenta y apoyada por la “Organización de los Estados Americanos” OEA, pospuso las elecciones y por lo tanto el Senado no ha logrado renovar un tercio de sus senadores. “Si esto sigue así, no vamos a  tener ningún senador en Haití”, dijo Moise. Como resultado de la visita, se formó un comité para organizar la delegación que estará presente en la Conferencia de 1º. de Junio en Haiti.

     

    Brasília. El senador inició su visita con un debate en una escuela pública en Gama, organizada por la Juventud Revolución (JR), con más de 200 estudiantes de secundaria, gritando consignas como “Soberanía, debe existir, retire las tropas de Haití!” . Su intervención, con un discurso emotivo, relataba casos de violaciones y ahorcamientos de jóvenes haitianos por los soldados de la fuerza de ocupación de la ONU – con Brasil. En un evento organizado en CUT Central Única de los Trabajadores, muchos sindicatos estaban presentes en solidaridad a los trabajadores haitianos, fuertemente reprimidos por efectivos de la MINUSTAH. Ismael Cesar, quien lideró la mesa en nombre de la CMS – Central de Movimientos Sociales – llamó a todos a la “defensa de la soberanía del pueblo haitiano”, y apeló a “enviar una buena delegación a la Conferencia en junio próximo.”

     

     

    Markus Sokol (DN / PT), informó que “la campaña se inició en 2004, cuando el gobierno brasileño dijo que pasarían solo seis meses para organizar las elecciones y luego salir. Nueve años después, la situación solo empeoró. Nuestra solidaridad con la soberanía del pueblo haitiano no se acabará hasta que las tropas salgan del país”. El senador también fue recibido por el presidente del Comité de Relaciones Exteriores de la Cámara de Diputados, Nelson Pellegrino (PT / BA) en un encuentro que también contó con la presencia de los diputados Luiza Erundina (PSB / SP), Fernando Ferro (PT / PE) y José Stédile (PSB / RS), además del coordinador de relaciones internacionales PSB Lygia di Moura. La senadora Ana Rita (PT / ES), Presidente del Comité de Relaciones Internacionales del Senado que lo recibió junto con el senador Suplicy (PT/SP) y Paulo Paim (PT / RS), se ha comprometido a enviar un representante a la Conferencia Por la Retirada de las Tropas, en Haiti en junio próximo. El senador Moise señaló que “el gobierno no respeta la ley y tiene su propia agenda, a diferencia de la mayoría de las población que ya mostraron, en las calles, que quieren la salida de las tropas de su país.” El senador también fue recibido por el Director del Departamento de América Central y el Caribe del Ministerio de Relaciones Exteriores, Tabajara Nelson Oliveira. En todas las actividades, el senador haitiano señaló que Brasil, a pesar de liderar a las tropas, estaba en el país al servicio de los gobiernos de Estados Unidos y Francia, “para hacer el trabajo sucio para el imperialismo.”

     

    São Paulo. El senador Moise fue recibido por el concejal José Américo (PT/SP), presidente del Concejo Municipal y la concejal Juliana Cardoso (PT / SP). Américo se ha comprometido con el envío de una representación oficial a la Conferencia en Haití en junio. Aún en São Paulo, una  audiencia pública llenó el auditorio de la Asamblea Legislativa de São Paulo, el 18/4. En la mesa encabezada por el Diputado Adriano Diogo (PT / SP) y compuesta por Julio Turra (CUT) Milton Barbosa (MNU), Marcelo Buzzeto (MST) Joelson Sousa (JR), la concejal Juliana Cardoso (PT), por Catia Silva (Lucha contra el Racismo DM / PT) y Barbara Corrales (corriente “El Trabajo del PT). Barbara dijo que “si la MINUSTAH está ayudando, como dijo el presidente Martelly, que hacen 5.000 haitianos refugiados en Acre, dejados por su cuenta, por lo que el gobernador de este estado promulgó ” estado de emergencia social “? Las tropas amenazan a los haitianos con la dispersión, ya que la ocupación niega tudo, empezando por un futuro propio. La ayuda que el gobierno brasileño puede dar al pueblo haitiano debe comenzar por la retirada de las tropas “. El senador haitiano, para responder a preguntas de los asistentes dijo que “las tropas no funcionan para resolver los problemas sociales. Trabajan para reprimir a los trabajadores en su derecho a manifestarse”. Acerca de la epidemia de cólera traída al país por las Naciones Unidas, que ha matado a más de 9.000 haitianos y ha infectado a 700.000 el senador dijo que “el pueblo haitiano debe ser indemnizado por los daños causados a la población por el virus del cólera. La ONU debe reconocer este derecho de mi pueblo! ” Y terminó instando todos a la solidaridad ” La ocupación afecta a nuestra dignidad como pueblo. Hiere la autodeterminación del pueblo haitiano”. Turra, de la CUT, resaltó la contradicción en la política exterior brasileña, ” la presidente Dilma tuvo razón al reconocer la victoria de Nicolas Maduro y asistir a la toma de posesión del presidente de Venezuela, en contra de la posición de EE.UU. Pero en Haití, Brasil está jugando el papel de “subcontratado” de Estados Unidos “.

     

    El senador Moise terminó diciendo “quiero sensibilizar a los países y el mundo sobre la situación de mi país através de la Conferencia 1º de Junio por la Retirada de las Tropas de Haiti”.  Siguió para Argentina a invitación de la Central de Trabajadores de Argentina-CTA Capital y el Comité de Solidaridad por la retirada de las tropas argentinas de Haití, donde asistirá a la audiencia pública en la Cámara de Diputados de la Nación, recibirá el premio Ciudadano Ilustre de la Ciudad de Buenos Aires y participara de reuniones con sindicatos en la CTA y de discusiones con los estudiantes en la Universidad de La Plata.
    Barbara Corrales – Comité “Defender Haití es defendernos a nosotros mismos”, Asamblea Legislativa de São Paulo

    Barbara Corrales – Comitê “Defender o Haiti é Defender a Nós Mesmos” Assembleia Legislativa de São Paulo

    comitedefenderhaiti@uol.com.br Blog http://retiradatropashaiti.blogspot.com.br/

  • Haití: ¡Ellos necesitan solidaridad no soldados!

    Joao Pedro Stedile

    ALAI AMLATINA, 01/04/2013.-

    Queridos amigos y amigas,

    Acabo de llegar de un viaje a Haití. Fui a participar en un congreso del movimiento campesino haitiano y aproveché la ocasión para visitar varias regiones del país y los proyectos que la brigada de la Vía Campesina/ALBA, está desarrollando en solidaridad con el pueblo de Haití.

    Me gustaría comenzar mi carta, comentando las características principales de esta nación. Es un país del tamaño de Alagoas (27 mil Km2), todo él montañoso, como Minas Gerais, y con las montañas totalmente devastadas, o sea sin cobertura vegetal, pues los campesinos, en el transcurso de varias décadas, tuvieron que recurrir al carbón como única fuente de energía y de renta. Toda la alimentación de Haití es preparada con carbón. No hay cocinas a gas en el país, con la salvedad de los barrios ricos de Puerto Príncipe. El clima es semi-árido en todo el país. Llueve sólo tres meses por año, y después aquella sequía nordestina… Y la población es de diez millones de personas, en ese pequeño territorio superpoblado, con un 95% de afrodescendientes y 5% de mulatos.

    Ellos son los herederos de la primera gran revolución social de América Latina, cuando en 1804, se rebelaron contra los colonizadores franceses que los explotaban como esclavos, y los condenaban a tener una esperanza de vida de solo 35 años. Expulsaron a todos los colonizadores, eliminaron la esclavitud y distribuyeron las tierras. Y como sabían que los colonizadores podrían volver aún más armados, subieron a las montañas, en donde viven hasta hoy.

    Los colonizadores volvieron, pero ya no eran los franceses, ahora vinieron los capitalistas de Estados Unidos que ocuparon el país durante las primeras décadas del siglo XX. Y cuando salieron, dejaron la dictadura de Duvalier, pro-estadounidense que aterrorizó a la población de 1957 a 1986. Luego siguieron gobiernos temporales.

    En 1990, eligieron al padre Arístide, adherente a la teología de la liberación. Él no renunció, los americanos lo derrocaron y lo llevaron a Washington, para darle clases de neoliberalismo. Volvió domesticado para cumplir otro mandato.

    Después eligieron al Presidente Preval, que logró cumplir su mandato, pero sin ningún cambio democrático. Y ahora, eligieron un gobierno títere de los estadounidenses, que gastó 25 millones de dólares en la campaña electoral. Todos saben en Haití, que el pueblo no lo eligió.

    Debería haber elecciones para el parlamento, cuyo mandato expiró hace más de seis meses. Pero nadie habla de eso. Por tanto, ya no existe parlamento legalmente constituido, aunque funcione. En la práctica ¡el poder real es ejercido por las tropas de las Naciones Unidas, llamadas Minustah!

    Por tanto, a pesar de haberse liberado de la esclavitud, el pueblo haitiano vivió pocos años de democracia (burguesa).

    El pueblo vive en pobreza extrema, con carencias de comida y bienes materiales. Pobreza que se agravó con el terremoto de enero de 2010, que mató a miles de personas y destruyó prácticamente toda la ciudad de Puerto Príncipe. Pero es un pueblo que se mantiene con dignidad y altivez, unido por la cultura, por el idioma creole, que en el mundo sólo hablan ellos, y por el vudú (equivalente a nuestro candomblé), practicado por casi toda población, aunque mantengan un sincretismo religioso, en el estilo: los domingos a la misa y los viernes a la fiesta.

    En las regiones rurales, no hay escuelas. El 70% de la población vive en el medio rural. El analfabetismo afecta al 65% de la población. No hay energía eléctrica en el interior, sólo en Puerto Príncipe. Hay sólo tres carreteras nacionales asfaltadas. Y no hay agua potable. Todo el mundo necesita comprar agua potable, a precios internacionales.

    El año pasado, por primera vez en su historia, hubo una epidemia de cólera, que mató a centenares de personas. La enfermedad medieval fue traída por las tropas de Nepal, que hacían sus necesidades en el principal río del país. ¿Algún tribunal internacional se anima a procesar a las Naciones Unidas por esas muertes?

    Más del 65% de todos los alimentos son importados o llegan en forma de donación, que son apropiados por una burguesía comercial negra, que explota a la población.

    Cuando las familias consiguen tener algún recurso para comprar los productos que vienen de la vecina Republicana Dominicana, es porque reciben ayudas de parientes que trabajan en los Estados Unidos.

    Chávez salvó al pueblo de Haití del caos, al suministrar petróleo a través de Petrocaribe, y propuso que el gobierno local destinara los recursos recibidos a proyectos sociales. El combustible es vendido en los surtidores, pero el gobierno nunca explicó al pueblo dónde está invirtiendo esa renta.

    En un escenario como el descrito, no es difícil imaginar cuándo vendrán las próximas revueltas populares. Pero no se asusten, allá están 12 mil soldados de muchos países del mundo coordinados por el ejército brasileño, con el membrete de las Naciones Unidas, para contener posibles revueltas. Desfilan en convoyes fuertemente armados, sólo para decir al pueblo: No se olviden, ¡estamos aquí para mantener el orden! El orden de la pobreza y de la nueva esclavitud. Allá no hay guerra, ni violencia (las tasas de homicidios son las más bajas de América Latina), los soldados están allá solo como policías.

    Pregunté a los soldados brasileños porque están allá, pues ni siquiera dominan el creole para comunicarse con la población. La única respuesta que obtuve fue que si salieran entrarían los estadounidenses, ¡que son mucho más violentos!

    El pueblo de Haití no necesita de soldados armados. El pueblo de Haití necesita de solidaridad para desarrollar las fuerzas productivas de su territorio y producir los bienes que requiere para satisfacer las inmensas necesidades que padece.

    El pueblo de Haití necesita de apoyo para tener energía eléctrica, para tener una red de gas para cocinar y evitar la deforestación. Necesita de una red de agua potable y de escuelas en todos los niveles, en todos los poblados. Necesitan de semillas y herramientas. Del resto ellos saben muy bien cómo hacer. Están allá desde 1804, como pueblo libre, sobreviviendo y multiplicándose a pesar de tantos expoliadores extranjeros.

    Felizmente, hay otras visiones en el relacionamiento con el pueblo de Haití. El gobierno de Bahia envió cisternas para almacenar agua lluvia, que para el pueblo de allá es muy grato. Petrobras nos ayudó a traer 77 jóvenes campesinos para estudiar agro-ecología en Brasil. La iglesia católica de Minas Gerais hizo una colecta especial en todas las parroquias que ahora financia proyectos de desarrollo agrícola por allá, desde huertas, crianza de gallinas y cabras, hasta multiplicación de semillas.

    Y los movimientos sociales de la Vía Campesina Brasil, con los pocos recursos que tenemos, mantenemos en Haití una brigada permanente de jóvenes voluntarios desde hace más de 6 años, que está desarrollando proyectos de agricultura, de cisternas y de educación.

    Tengan muy en cuenta que el pueblo de Haití está indignado con las tropas de la Minustah. Si las Naciones Unidas quisieran enviar soldados, podrían haber seguido el ejemplo de Ecuador y de Venezuela: sus soldados no andan armados, y están construyendo casas, carreteras y almacenes. O seguir el ejemplo de Cuba que mantiene allá más de 5 mil médicos voluntarios en el único servicio público de salud que existe en el país, que es atendido por esos médicos humanistas, que dan ejemplo de la práctica del socialismo.

    Creo que nuestra obligación como hermanos del pueblo de Haití, es seguir protestando y pidiendo que las tropas se retiren de Haití, como no desearíamos que estuvieran en Brasil o en cualquier otro país del mundo. Y seguir apoyando, con proyectos de desarrollo económico y social. (Traducción ALAI)

    – João Pedro Stedile, miembro de la Coordinación Nacional del MST y de la Vía Campesina Brasil

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